01.
Encontro
de um estranho
Sexta-feira,
vinte e cinco de outubro de mil novecentos e noventa e seis, exatamente às seis
e trinta e sete da noite, quando John sai de casa a procura de seus amigos:
Luís, Ciro, João e Pedro.
Sempre
que ele saía por volta desse horário era quase certo encontrar seus amigos lá
no portão o esperando. Só que dessa vez, para quebrar a notável rotina, ele não
os viu esse dia.
Então
após fechar o portão e começar seu curto percurso até a porta de entrada para
sua casa, um pouco chateado e cabisbaixo, John caminha lentamente.
Após
chegar a um certo ponto do caminho, John é surpreendido pela presença de um
homem trajado em preto por completo usando uma capa cujo interior era
vermelho.Ao se deparar com o tal homem trajado de modelo fúnebre, rosto pálido,
olhos amarelados e estampando um sorriso forçado, John toma grande choque.Mas,
sabiamente, procura disfarçar de forma que o estranho e amedrontador homem não
percebe.
Esbanjando
um sorriso simples e insosso como estratégia para fuga, John tenta caminhar
para correr. Porém, astutamente, o estranho o segura pelo braço com a intenção
de apavorá-lo e o questiona sussurrando com um sorriso:
-
Por que sair com
tanta pressa? Eu estou causando algum medo a você?
-
N-não! I-imagina.
-
Ah, claro.
Desculpe-me a falta de educação. Eu me chamo Leonardo. E você? Como se chama?
-
J-John! Me
desculpe...e-eu preciso ir...Agora.Licença.
Leonardo,
com pouca paciência, aperta o braço de John e com um olhar perverso fala
rangendo e sussurrando:
-
Confesso que
tentei ser razoável. Mas você esnobou e agora vai pagar ter agido assim dessa
maneira, seu imbecil!
Leonardo
então mostrou as presas no momento de um franzir de ódio e com seus olhos
arregalados hipnotizou John.
E na hora que ele vai
mordendo John, Caroline, Sua irmã de sete anos, de repente vê o incidente e,
assustada grita.
Leonardo,
por um passe de magia, rapidamente desvanece levando John consigo.
E
nesse exato momento, Ciro que havia escutado grito de Caroline, vem correndo e
pergunta assustado:
-
O que foi que
aconteceu?
-
E-eu vi um
vampiro mordendo o pescoço do John!
-
O que aconteceu,
minha filha?-Chega dona Abigail, mãe dela, perguntando bastante assustada.
-
Mãe! Um vampiro
mordeu o pescoço do John!
-
Bem que eu te
avisei pra ficar assistindo filme de terror ontem. Olha só no que dá...
-
É mesmo! Você
anda assistindo televisão demais?-Fala Ciro após entender a atual situação.
-
Mas é verdade! Eu
vi com esse par de olhos que a terra há de comer!-Insiste Caroline.
-
Está bem! Eu
acredito. Até logo!-Fala Ciro indo embora.
-
Está bem, dona
Caroline! Vá já tomar banho pra jantar!-Fala dona Abigail chateada com tal
insistência.
-
A propósito, cadê
o John?
-
Eu disse; “Ele
sumiu com um vampiro!”.
-
Já pro banho!
-
Mas...
-
Nenhuma
palavra!-Fala dona Abigail e Caroline entra – John? John!Você está aí nos
fundos?
Pergunta dona Abigail indo
vagarosamente pelo corredor ao lado da casa até os fundos sozinha.
-
Estou aqui,
mãe!-Responde John logo atrás dela dando-lhe um grande susto.
-
Ai! Quer me matar
do coração, menino!?
-
Desculpe mãe.
-Lamenta John sorrindo.
-
Vamos! Já está na
hora do jantar!
Na mesa, todos estão
reunidos e dona Abigail coloca o jantar para cada um. John olha para seu prato
com uma certa expressão de contrariado e comenta abusadamente:
-
A minha sopa está
com cheiro de alho.
-
E daí!Pergunta
Caroline.
-
Eu detesto
alho...
-
Você deve ta
brincando. É a comida que você mais
gosta .Você ta agindo
estranho hoje.Eu, hein!!Diz Caroline admirada sem tirar o olhar da expressão
misteriosa de John.
- E
você deveria encher sua boca de comida e queimar essa sua língua solta para ver
se para de ficar falando besteiras.
Comenta John em um sussurro
macabro após se sentir incomodado com o que Caroline falou sem desviar o olhar
do seu prato.Nesse instante os três se admiram com a atitude insólita de John
para com sua irmã e faz-se um brusco silêncio.
- O que
significa isso John?Você nunca falou dessa forma com a sua irmã. Sempre foi
unido com ela. Que bicho te mordeu, menino?Pergunta dona Abigail intrigada.
Sem encontrar uma justificativa por menor que fosse a fim
de convencê-los do seu suposto equívoco, John dá uma rápida observada em cada
um dos três que o olham admirados e fala levantando-se da cadeira:
- Acho que
tem alguém sobrando nessa mesa. É melhor eu fazer o favor de me retirar. Com
licença...
-
Pode continuar
sentado aí!E só levante-se após
terminar, gostando ou não
da comida.Sem uma reclamação.Não vou tolerar seus próximos resmungos infantis,
entendeu bem!? Fala Sr. Fernando pressionando a ponta do dedo indicador sobre a
mesa indignado com a atitude audaciosa de seu filho em sua presença sem tirar
os olhos dos olhos de John.
- Velhote
desgraçado!Quem ele pensa que é pra ficar ditando ordens e falar comigo nesse
tom?Mas tudo bem. Ele vai me pagar por essa!Pensa John voltando ao seu lugar
lentamente após ter desafiado Sr. Fernando com o olhar.
...Após o término do jantar, sentindo-se contrariado, na
presença dos três John comenta com uma forçada expressão de arrependimento
lançando seu olhar para o chão:
- Me
desculpem pelo que aconteceu. Eu não sei por que agi daquela forma...
Comovidos com a bela atitude de John os três sorriem
surpresos e D. Abigail fala aliviada:
- Está
tudo bem, filho!Se você estiver com algum problema que esteja te incomodando
muito é provável que esse possa ter sido o motivo. É compreensível.
- Só não
esqueça que você tem uma família que vai estar do seu lado como sempre esteve.
Eu sou seu pai e você pode contar comigo quando quiser pro que quiser. Você
pode dividir seus problemas comigo, certo?!Fala Sr. Fernando sorrindo e
passando seu braço sobre os ombros de John.
- E da
próxima vez tenha mais cuidado com o que vai desejar pra mim e pra minha
língua. Você pegou pesado!Fala Caroline chateada dando uma leve tapinha no
braço de John com a intenção de descontrair.
Em seguida John corresponde com um pequeno sorriso.
Alguns minutos depois John prepara-se para sair e fala:
-
Pai. Vou dar uma
volta e venho logo.
-
Esteja de volta
antes das nove, tudo bem!?
Propõe Sr.Fernando
preocupado com o horário.
- Essa
não!Superproteção ninguém merece... Pensa John e logo após comenta
sorrindo-Pode deixar. Até mais.
- Por
favor, não se atrase. Não vou gostar de saber que você me desobedeceu. Tome
cuidado!Adverte Sr. Fernando.
- Não
esquenta, pai. Ta tudo bem!Fala John se despedindo após fechar o portão
vagarosamente meio chateado com as regrinhas “desnecessárias” impostas pelo seu
pai.
Ainda de frente ao portão olhando para seu pai, John faz
um pequeno aceno com a mão e sai logo em seguida.
Logo Sr. Fernando corresponde sorrindo e balançando a
cabeça negativamente.
02. A usina
No
caminho John, coincidentemente cruza com João e Pedro que, um pouco chateados
procuram um modo de se explicar. E João começa suas lamentações:
- John, foi mal, cara. Mas eu não pude ir
porque tava fazendo a tarefa de casa e o chato do meu pai disse que eu só
poderia sair depois que terminasse tudo...
- E eu não pude ir porque a minha “bela
irmãzinha” quebrou um dos vasos de porcelana da minha mãe e acabou colocando a
culpa em cima de mim. Eu fiquei furioso e acabei dando um belo cascudo nela.
Sério!E o mais incrível foi que minha mãe e meu pai acabaram acreditando. Ela
foi uma ótima atriz!Bem, no final das contas acabou sobrando pra mim. Apanhei
do meu chefe. E olha que, quando meu pai pega, ele não bate, espanca. Ai!Minhas
costas ainda tão doendo até agora pra caramba. Fala Pedro com a mão nas
costelas se queixando das incômodas dores.
- Que otários, hum... Comenta John em seus
pensamentos.
- Qual é, John!?Vai ficar só calado ouvindo a
gente?Diz alguma coisa!Fala Pedro inconformado com o silêncio de John.
- E aí!?Vamos zanzar, dar uma volta,
“diversão”?Propõe João sorrindo para tentar descontrair depois do que passou.
- Diversão?Por aqui?Como?Aliás, o quê, por
exemplo?Pergunta John com um sorriso sarcástico tentando imaginar um modo,
dando uma rápida olhada no lugar.
-
Bom, que tal
na... Usina abandonada?Sugere Pedro.
-
Quê???Pergunta
João assustado.
- É! Na usina abandonada. Por que não?Sorri
Pedro insistindo e fazendo brotar um sorriso macabro no rosto de John que
outrora estava bastante entediado.
-
A e-essa
hora?Persiste João olhando os dois.
-
Ué?! Qual o
problema?Não vá nos dizer que você está com medo, está?Pergunta John sorrindo
admirado.
-
Não é bem isso!
-
Então é o
que?Pergunta Pedro um pouco chateado.
-
Bem, é que... Lá
ta escuro... Sorri João envergonhado e meio sem graça fixando seu olhar para o
chão.
-
Meu Deus, que
idiotice... Comenta John virando os olhos para cima numa expressão de decepção.
-
Seu medroso!Lá
ainda tem energia. Esqueceu da última vez que a gente foi?Fala Pedro tentando o
convencer.
-
M-mas isso foi há
quase um mês!Preocupa-se João.
-
Que diferença
faz?Não tem muito tempo.Além do mais, se não tiver a gente dá um jeito.Pior é
ficar aqui!Fala John já aborrecido tentando convencê-lo.
-
Então? Vamos ou
não vamos?Pergunta Pedro.
-
Ainda acho que a
gente não deve ir. Não é uma boa idéia!Fala João já desistindo de insistir.
-
Ta decidido!Vamos
logo seu medroso!Fala Pedro indo a destino a usina e puxando o braço de João.
Chegando
lá, um local aparentemente inóspito, sujo, escuro e esquisito. Na frente havia
uma bela árvore para quebrar um pouco o contraste sombrio da fachada da casa:
Um muro caindo aos pedaços, um portão de ferro enorme amassado e enferrujado
entreaberto por uma corrente velha e solta, provavelmente pelos meninos por
terem estado outrora naquele local e, de fundo, o suave som de grilos e sapos
para quebrar o silêncio temeroso.
Ás
vezes quando a brisa forte do vento batia, balançava levemente o portão
provocando rangidos atemorizantes.
Ao
se deparar com tudo isso, João, admirado com aquele cenário nada agradável a
seus olhos, engole em seco.
- Uh... Esse lugar me dá arrepios numa hora dessas.
Sussurra Pedro paralisado e de olhos
arregalados.
- Uau! Isso é o que eu chamo de um “belo lugar!”. Sorri John
bastante encantado com tudo aquilo que para ele seria uma paisagem de encher os
olhos.
- Estranho. Do jeito que você ta falando nem parece que já
teve aqui há quase um mês. Fala João olhando meio desconfiado para John e logo
desviando o olhar para Pedro que aparentemente tem a mesma impressão.
- É que eu só tinha entrado. Mas nunca tinha prestado
atenção em como esse lugar é tão... Agradável. Sorri John ainda sem tirar seus
olhos da fachada da casa.
- Hã?Agradável?Como assim?John?Ta tudo bem?É você
mesmo?Pergunta João preocupado com tal reação esquisita.
- John?Ta tudo bem?Pergunta Pedro preocupado o olhando e se
aproximando lentamente de João.
Intrigado com a reação temerosa dos dois John fala:
- Quê que foi?Tão me olhando assim por quê?
- Nada. A gente só ficou um pouco preocupado com a sua
reação e seu comentário. Responde Pedro com um pequeno sorriso na intenção de
confortá-lo.
- É... Você ta agindo estranho. Complementa João.
- Estranho?Eu?Fala sério!!Vocês agora tão me ofendendo com
essa desconfiança absurda!Fala John meio irritado olhando para os dois
incessantemente.
- É. Tem razão. Foi besteira nossa. Desculpe!Sorri Pedro se
convencendo de que foi só impressão sua.
- Não sei não!Não me convenceu. Insiste João virando
levemente a cabeça e olhando John de lado.
- Você além de medroso é um paranóico. Fica só imaginando
bobagens! Fala John debochando da cara de João.
- Mas não sou burro. Não pense que vai conseguir me enganar
se por acaso estiver tentando. Fala João o encarando.
Nesse exato momento John se altera e agarra João pela
gola da camisa falando com um olhar enfurecido:
- Fica na tua seu imbecil!Eu não gosto da maneira que você
ta me olhando!É melhor você parar com isso!
- Ah é?Por quê?Isso ta te incomodando?João ironiza.
- Ei!Ei!Quê que é isso aqui agora?Será que alguém pode me
explicar essa rixa inútil?Pergunta Pedro admirado separando os dois no ato.
- Por que você não pergunta pra esse cara aí?Fala João.
- Segura a tua onda seu panaca!Ameaça John apontando o dedo
próximo do rosto de João.
- Senão você vai fazer o quê?Me bater?João provoca.
- Parou!!Cala essa boca João!Isso já passou dos limites!Qual
é o problema de vocês dois?John.Fica frio, cara!Você nunca foi de brigas.Que
stress é esse agora?Será que a gente veio aqui pra isso?Fala sério!Fala Pedro
bastante aborrecido e intrigado com aquela situação.
Então John recompõe-se e arrependido concorda meio sem
graça: - Tem razão!Me desculpa.Eu perdi a
cabeça.
- Ah é?Então procura ela aí pelo chão que deve ta por
perto!Fala João insistindo nas provocações.
- Cala essa droga dessa boca, João!Agora é a mim que você ta
irritando!Chega!Grita Pedro olhando bastante enfurecido para João que também se
recompõe baixando a cabeça e fazendo John dar um pequeno e discreto sorriso
pela bronca que levara de Pedro.
- Deixa, Pedro!Fica frio você agora. Esse cara não é tão
valente?!Que tal um desafio?Propõe John sorrindo.
- Pode mandar que eu aceito, seu esquisito!Fala João.
- Hum!Nossa!Como ele está valente agora!Nem parece aquele
medroso de minutos atrás. Sorri John debochando.
- John!Adverte Pedro o olhando.
- Tudo bem!Vocês não disseram que essa usina tem
energia?!Então eu quero ver você ir até a chave geral agora sozinho e ligar as
luzes. Que tal?Desafia John.
- Lá dentro?Sozinho?Pergunta João admirado.
- Ué?! Qual o problema?Não vai dizer que...
- Ta legal!Eu topo. Aprecia agora, seu mané!Sorri João
entrando na usina após ter cortado a frase de John.
- Toma cuidado, João!Pode ser perigoso. Fala Pedro
preocupado olhando desconfiado para John.
Após João ter entrado John e Pedro ficam no portão o
esperando. Então Pedro fica observando John discretamente enquanto ele fixa seu
olhar para escuridão com um pequeno sorriso macabro. Sem tirar os olhos da
escuridão, John pergunta:
- Quê que foi Pedro? Por que ta me olhando assim?
Admirado com a atitude
repentina de John Pedro responde.
- Nada. Só achei que você não precisava ter feito isso com o
João. Afinal ele também é seu amigo apesar dos defeitos que tem. Ele sempre foi
meio medroso, mas você nunca ligou pra isso. Tem certeza de que não tem nada de
errado?
- Tenho. Não sei por que você encucou com isso agora. Há
pouco você tava convencido de que tava tudo bem. Por que já mudou de idéia?Você
está contra mim também?Pergunta John o olhando com decepção se fazendo de
vítima para convencê-lo.
- Claro que não! É que...
- Ei!Pedro!Eu to perdido aqui!Onde que fica essa droga dessa
chave?Me da uma ajuda aí!!Grita João após ter interrompido sua conversa com
John.
- Tá
legal!Fala Pedro cruzando o portão para ir até João.
De repente John estende o braço o impedindo de entrar:
- Ei!O
que pensa que vai fazer?
Surpreso Pedro o olha quase gaguejando e fala:
- E-eu vou ajudar ele. Ele não consegue fazer isso sozinho.
- Ele precisa aprender. Por que você não fica só dando dicas
daqui do lado de fora!?Além do mais, o que pode haver de anormal nesse
escurinho insignificante?
Contrariado com os argumentos de John, Pedro permanece do
lado de fora e grita para o escuro onde João está:
- Tem umas caixas de madeira cobertas por uma tela de pano.
Vê consegue encontrar!
- Ta legal. Espera aí... Au!!!De repente João se queixa.
- João!O que foi que houve!Ta tudo bem? Pergunta Pedro
preocupado após ter ouvido o barulho de algo parar João.
- Ta!Eu só tropecei em alguma coisa. Algum ferro. Não tenho
certeza. Ei! Acho que encontrei as caixas cobertas! E agora? O quê que eu tenho
que fazer?
- Ótimo! Do lado das caixas tem uma coluna. È nessa coluna
onde se encontra a chave!Agora ta fácil!
- Certo!Espera aí!
Pedro e John esperam alguns segundos...
- Achei!!Pronto!!Grita João comemorando.
Então as luzes se acendem de repente e os dois se olham
sorrindo. John fala:- Viu
só?!Você só tem que confiar um pouco mais nele. Porém, confesso que não
acreditava muito no potencial dele até agora. Ele me surpreendeu também!
- O João é o cara!Sorri Pedro feliz pelo progresso.
De repente João grita apavorado assustando os dois.
- O que foi isso??Vamos lá!!Fala Pedro entrando logo em
seguida com John.
Chegando lá, os dois se deparam com uma enorme caranguejeira pregada na camisa de
João localizada na parte do peito andando vagarosamente em direção a sua
cabeça.
- Tira esse troço de cima de mim!!Grita João sacudindo a
camisa e caminhando para trás rapidamente. De repente João tropeça no mesmo
objeto que outrora havia tropeçado: Uma barra de ferro enferrujada. O mesmo
levara João de costas ao chão fazendo-o apavorar-se cada vez mais com a tal
aranha.
- Calma João! Fica quieto que eu vou dar um jeito!Fala Pedro
procurando algo para retirar a aranha que continua a subir.
Logo John toma a frente de Pedro falando:
- Pode deixar que eu
ajudo!Para de se mexer.
Então, para o espanto dos dois, John pega a aranha com as
próprias mãos e João corre para perto de Pedro. E os dois ficam assustados
observando John que fica apreciando o animal enquanto se mexe sendo segurado
por ele.Encantado John fala:
- É um belo animal. Apesar de muitos o acharem nojento e
asqueroso pela sua aparência, é um animal admirável. Nunca atacam por prazer.
Só quando se sentem ameaçados ou quando estão caçando.Óbvio que não caçam nós
humanos.Apenas outros insetos.São frágeis.Dificilmente resistem a uma queda de
uma altura...Notável.Temos que ser bastante cuidadosos para não o
machuca-lo.Parabéns, João.Você foi um verdadeiro cavalheiro por não deixa-la se
machucar.
- Que
cara mais... Bizarro. Sussurra João impressionado
segurando firme o braço de Pedro que também fica imóvel.
Percebendo a reação dos dois, John fica um pouco sem
graça e, olhando em volta da usina, fala sorrindo:
- Bom, vou procurar um lugar seguro para colocá-la. Deixe-me
ver... Ah! Ali seria o lugar ideal. Um momento. Eu volto logo. Fala John indo
até o local avistado por ele: Um velho armário entreaberto no canto da usina
situado a uma certa distancia dos dois.
Logo, João sussurra no ouvido de Pedro:- Vamos dar o fora
daqui, Pedro. Eu tenho certeza absoluta que esse daí não é o John que a gente
conhece.
- Mas a gente não pode deixar ele sozinho aqui!Sussurra
Pedro tentando convencê-lo do contrário.
- Ta maluco?A gente é que não pode ficar sozinho aqui com
esse... Esse cara esquisito, metido a biólogo!
Percebendo, ainda de costas, John pergunta olhando de
lado: - O que tanto vocês dois cochicham, hein?!
Nesse
exato momento, João vai até a coluna e desliga a chave geral correndo em
seguida puxando Pedro pelo braço:
- Vamos!Fala João. E os dois saem da usina em disparada.
Ao chegarem ao portão, para o desespero dos dois, John
aparece de repente com um olhar macabro e diz sussurrando:
- Ora, ora!Que belos amigos vocês são. Que coisa feia o que
vocês fizeram. Me abandonaram naquela escuridão.Sabem o que pode acontecer
agora depois do que vocês me fizeram?
- Corre, Pedro!Grita João apavorado.
Então, astutamente, John segura Pedro pelo pescoço o
deixando asfixiado e se debatendo tentando se soltar.
João, no auge do seu desespero, sem saber o que fazer sai
correndo e deixa Pedro a mercê de John. No meio do caminho, ainda correndo,
João começa a chorar excessivamente pensando:
- O Pedro! Meu amigo!Eu deixei ele sozinho com aquele cara.
Por que eu fiz isso? Por que eu não fiquei lá para ajudá-lo? O meu amigo não!
Eu sou um fracasso como amigo!
03.
Em casa
Chegando
em casa, John se depara com seu pai nada satisfeito com seu atraso e então Sr.
Fernando começa seu sermão muito furioso olhando para John que está cabisbaixo:
- Você está bastante atrasado. Pode me dizer o que
aconteceu?Onde esteve?Com quem esteve?O que esteve fazendo até essa hora?
- Estive aqui por perto com meus amigos...
- E o que foi que te pedi antes de você sair?Será que eu te
pedi demais?É tão difícil pra você obedecer a uma ordem minha?Mesmo sabendo que
o que faço é para o seu próprio bem?!Será que você me odeia tanto a ponto de
ficar quebrando regras, rapaz?Me diga onde estou errando com você?
E John permanece calado e cabisbaixo.
- Você não vai me dizer mais nada?Pergunta Sr. Fernando
inconformado com tamanha indiferença.
- Me desculpe mais uma vez, pai. O senhor está certo. Vou
procurar não errar tanto daqui pra frente. Sussurra John triste.
Comovido com a reação de John Sr. Fernando o abraça
beijando sua testa e diz com um pequeno sorriso:
- Tudo bem!Agora vá escovar os dentes pra dormir.
Minutos depois de escovar os dentes, John passa pelo
quarto de sua irmã Caroline no momento em que ela está fazendo uma prece singela
e sussurrante:- Meu Deus, por favor, proteja minha mãe, meu pai e eu. Eu tenho
quase certeza de que aquele vampiro deve ter mordido o John e ele se tornou
esse cara esquisito e grosso como nos filmes que eu às vezes assisto escondida
da mamãe. Eh desculpe por isso... O problema é que ninguém acredita no que eu
disse e não consigo pensar em nada. Deus, por favor, me de uma maneira de
provar a todo mundo que eu não to mentindo. Que eu não to imaginando coisas
como eles pensam. Espero que isso seja apenas um pesadelo e que eu acorde logo,
pois estou com um mau pressentimento. Alguma coisa me diz que esta para
acontecer algo muito grave e isso esta apertando meu coração. Meu Deus eu
agradeço por escutar a minha oração e espero que seja feita a Tua vontade. Ah,
e perdão pelas coisas de errado que tenho feito. Amém. Fala Caroline que
outrora estava de joelhos e levanta-se vagarosamente para deitar-se em sua
cama.
Depois de deitar-se na cama Caroline fica olhando
fixamente para o teto enrolada em seu lençol até o pescoço.
De repente John aparece no quarto através de magia e a
deixa muito nervosa e de olhos arregalados. John percebe que Caroline está
aponto de gritar e rapidamente fecha sua boca sussurrando com um sorriso
malvado: - Nossa. Que cara de assustada é essa? Até parece que viu alguma
assombração. Vamos fazer um trato: Você fica de bico calado e eu lhe digo o meu
real propósito e ainda posso lhe assegurar de que não vou lhe fazer nenhum mal
se assim você continuar. Caso o contrário eu mato você, sua família e
desapareço num piscar de olhos assim como apareci. Você sabe que está em
completa desvantagem porque ninguém acredita na sua palavra. Todos pensam que
você não passa de uma lunática que vive assistindo filmes de terror. Não vai
fazer diferença alguma se você gritar, pra falar a verdade. Eu desapareço e
ninguém vai lhe ouvir se você tentar se explicar. Eu não tenho nada a perder.
Então? Quer ou não quer aceitar minha condição?
E Caroline sem poder falar, acena afirmativamente a sua
cabeça assegurando John de sua palavra.
- Muito bem. Então eu vou lhe soltar. Fala John soltando
Caroline vagarosamente e a observando atentamente – O que eu pretendo fazer é
muito simples...
Nesse momento dona Abigail o surpreende chegando de
repente e apóia seu ombro na porta do quarto com um olhar desconfiado e
admirado fixado em John: - Posso saber o que os dois conversam tanto a essa
hora da noite?
Então, preocupado, mas tentando disfarçar, John pensa
rápido em um modo de se explicar olhando para Caroline e para ela
constantemente: - B-bem... É que eu resolvi vir me desculpar pelo que houve no
jantar pessoalmente e finalmente ficou tudo esclarecido entre nós dois, não foi
Caroline?!
Admirada com o cinismo e a frieza impressionante de John,
Caroline responde rapidamente: - Hã?! Ah, é...
Aliviado com a reação de Caroline, John abre um pequeno
sorriso sem graça e continua: - Viu só?! Ta tudo bem. Bom, como a gente havia
se entendido, ficamos conversando sobre os bons tempos que passamos. Um momento
nostálgico.
- Que fofo, meu filho!Você e sua irmã sempre se deram bem e
continua assim até hoje. Eu me orgulho de vocês dois.
Sorri dona Abigail os
olhando serenamente.
- Estávamos lembrando o dia em que a Caroline foi passear no
zoológico e...
- No zoológico? M-mas a Caroline nunca foi ao zoológico.
Fala dona Abigail
estranhando após ter cortado tal comentário.
- Não foi?
- Não.
Aborrecido, John pensa: - Que droga. Por que foi que
disse uma idiotice dessas? – Logo ele contorna com um sorriso:
- Bom, então eu talvez deva ter sonhado.
- Claro. Isso acontece. Já aconteceu até comigo. Sorri dona
Abigail aliviada após o mal-entendido ter sido esclarecido.
- Ah foi?! Pergunta John levantando as sobrancelhas.
- Foi. Mas agora já está tarde. Amanhã eu explico. Agora
vamos dormir John. Vá para o seu quarto e deixe sua irmã dormir. Venha. Fala
dona Abigail saindo. E John que estava agachado perante a cama de Caroline,
levanta-se e fala a mirando com um olhar macabro: - Boa noite Caroline.
Então John sai lentamente fechando a porta e Caroline
puxa o cobertor cobrindo metade de sua face fixando seu olhar assombrado para o
teto em meio à escuridão do seu quarto.
04. O caminhão de lixo
08. Meia Noite
04. O caminhão de lixo
No
dia seguinte, sábado, exatamente as oito e vinte e cinco da manhã, como de
rotina, o caminhão de lixo passara por lá.
E
nesse caminhão vem sempre o amigo de John chamado Jair. O mesmo, ao chegar
pergunta para John sorrindo:
- E aí brother!? Como tem passado a semana?
Tem estudado muito?
Surpreso
com tal reação, John o olha sério e admirado sem dizer uma palavra e o deixando
meio sem graça.
- Pela sua cara séria deve ter tido uma
semana bem corrida e acompanhada de alguns aborrecimentos, hein!?
- Engano seu. Eu tive uma ótima semana. E pela
sua cara, apesar de sorridente, é possível que eu não possa dizer o mesmo.
Responde John com um sorriso insosso desmanchando o simpático sorriso de Jair e
o deixando admirado.
Nesse
exato momento Caroline chega fazendo brotar um sorriso novamente no rosto de
Jair que pergunta:
- Bom dia, pequena princesa!
- Bom dia, Jair. Como vai? Pergunta Caroline
sorrindo.
Logo
John entra discretamente, meio sério e cabisbaixo falando: -
Ainda tem mais um saco no quintal. Vou buscá-lo. Não vou demorar.
Após
entrar sendo observado pelos olhares atentos de Jair e Caroline, meio
intrigado, Jair se aproxima de Caroline e pergunta em um sussurro curioso: -
Está tudo bem com ele?
- P-por quê? Ele fez alguma coisa estranha?
- Não sei. Pode ter sido impressão minha,
mas, acho que ele não foi gentil. Ele parece não estar bem. Nem parece ser o
John que eu conheço.
- Engraçado. Então somos dois. Eu tenho a
mesma impressão. Mas como não tenho certeza do real motivo prefiro ficar
calada. Não esquenta com isso. Pode até ser despeito da parte dele por ver que
você é um cara muito legal e popular.
Comenta
Caroline com um pequeno e sincero sorriso na intenção de confortá-lo, o fazendo
sorri aliviado e lisonjeado.
- É! Você é, de fato, uma princesinha. Até se
comporta como uma. Obrigado pela força, majestade. Sorri Jair a reverenciando
lentamente. Nesse exato momento o motorista soa a buzina do caminhão para
alertá-lo.
- O garoto foi buscar um saco no quintal. Já
está voltando! Grita Jair e, nesse exato momento, John chega com o saco. Na
hora em que John lhe entrega o saco dona Abigail chama Caroline que entra em
seguida se despedindo de Jair:
- Tchau, Jair! Até a próxima!
- Até a próxima, majestade! Responde Jair
saindo com o saco sem tirar o olhar desconfiado de John que também o olha.
Então
Jair joga o saco no carro e de repente escuta um miado de desespero de um gato.
Assustado, ele olha para John que estava com um sorriso macabro e pergunta: - O
que foi isso? Logo, Jair volta seu olhar o fixando no saco e de repente vê algo
se mexendo sem parar. E novamente escuta o mesmo miado de outrora: - M-meu
Deus!
Jair
volta seu olhar assombrado para John supondo que aquilo, de certa forma, possa
ter sido obra dele por ver e sentir maldade em seu olhar obscuro.
Jair,
imóvel, volta seu olhar para o saco e vê o mesmo se mexendo prestes a ser
esmagado pelo martelo amassador do caminhão. Logo John quebra seu estado imóvel
comentando:
- É melhor se apressar...
Sem
esperar, Jair sobe no caminhão erguendo o braço para alcançar o saco. Nesse
momento, John avermelha os olhos e, apenas com o olhar o arremessa para dentro
do carro.
Sem
ter como sair, Jair começa a gritar desesperado por socorro enquanto o martelo
ia o imprensando cada vez mais.
Mas,
infelizmente ninguém podia ouvir devido ao barulho intenso do caminhão e os
outros ajudantes estavam distraídos pegando sacos nas outras casas. Nesse
intervalo, John contempla sua desgraça apoiado no muro com um sorriso
diabólico. E para a desgraça completa de Jair, o martelo o esmaga o matando
instantaneamente. Após o ciclo maldoso de John ter se completado, ele
finalmente resolve pedir por socorro.
- Socorro! Alguém! Ajude! Socorro!
Logo,
John vai até o meio da rua para chamar a atenção dos outros ajudantes e
continua a gritar por socorro.
Então,
finalmente eles percebem e assustados, soltam os sacos e vem correndo para ver
o que houvera acontecido.
Ao
se depararem com a cena de Jair, eles se assombram imobilizando-se. Porém, um
deles corre até a frente do caminhão e grita incessantemente fazendo gestos
bruscos para o motorista desligar o motor. Assustado, após ter compreendido, o
motorista desliga o motor e desce em seguida para saber o que possa ter
acontecido de tão grave segundo o que ele supunha.
- Meu Deus! Mas o que foi que aconteceu?
Pergunta o motorista desesperado com as mãos na cabeça.
- Não sabemos! Estávamos coletando sacos
quando de repente esse garoto nos chamou desesperado gritando por socorro! Fala
um dos ajudantes tentando se explicar.
- O que a gente vai fazer agora? Como é que a
gente vai explicar uma desgraça dessas? Pergunta o motorista gritando.
Logo,
Sr. Fernando, Caroline e dona Abigail chegam após terem escutado os gritos. E
Sr. Fernando pergunta:
- Mas o que está acontecendo? Que gritaria é
essa?
Quando
os três saem de casa logo se deparam com a tal cena bizarra. Quando Caroline vê
o estado lamentável em que Jair se encontrava, assombrada, começa a gritar sem
parar.
Apavorado
com a cena, Sr. Fernando apenas tem a ação de abraçar Caroline e tampar-lhe os
olhos. Dona Abigail também grita após o choque de ter visto tudo aquilo.
- Mas o que diabos foi que aconteceu por
aqui?
Pergunta
Sr. Fernando boquiaberto.
- Não sabemos explicar. Foi tudo de repente.
Quando viemos prestar socorro já era tarde demais! Fala um dos ajudantes
inconformado tremendo-se sem parar.
- Mas parece que o garoto viu tudo! É
possível que ele saiba explicar o que aconteceu! Fala o motorista referindo-se
a John que logo se preocupa em como irá explicar.
- Então, John?! O que você tem a nos dizer? O
que realmente aconteceu? Pergunta Sr. Fernando inconformado.
- E-eu não sei bem como explicar! Ele subiu
pra pegar um saco de volta daí se desequilibrou e acabou caindo carro adentro.
Eu não sabia o que fazer! Foi horrível! Fala John apavorado tentando explicar a
todos.
- Mas porque ele iria pegar um saco de lixo
de volta? Por que razão? Pergunta um dos ajudantes meio intrigado.
- E-eu não sei! Ele me disse que havia
escutado um miado de gato e que tinha visto um saco se mexendo!
- Miado de gato? Saco se mexendo? Meu Deus!
Ele só podia estar ficando maluco! Fala o motorista revoltado.
- Você deve estar muito abalado por tudo o
que viu filho! Venha! Vamos tomar algo pra se acalmar! Fala dona Abigail
bastante preocupada com John o confortando com um simples abraço e carícias no
rosto, o levando para dentro de casa.
- Tem razão. Procure se acalmar, garoto! Deve
estar sendo muito difícil pra você suportar tudo isso. Fala o motorista
- Isso mesmo. Acalme-se, filho. Fala Sr.
Fernando.
Então
John e dona Abigail entram e Caroline os acompanha logo em seguida enquanto Sr.
Fernando conversa com os outros
Caroline,
desconfiada e inconformada com tal versão, fixa seu olhar ainda assustado em
John. Enquanto John está sendo consolado por sua mãe, percebe o olhar
impertinente de Caroline e, incomodado, a repreende com um olhar furioso.
Assustada
com tamanho ódio vindo de apenas um olhar, Caroline se intimida e vai
rapidamente para seu quarto.
Então
dona Abigail, que havia ido até cozinha preparar algo, volta e, carinhosa, fala
lhe dando o copo:
- Toma. Beba isso, filho. Você tem que se
acalmar.
05.
Diálogo insólito
À
tarde, já passando das três horas, chegam Luís e Ciro na casa de John, bastante
abalados após terem sido informados do incidente ocorrido. Os dois vieram com a
intenção de consolá-lo. Tentando encontrar uma melhor forma de começar, Ciro,
meio sem graça e um pouco cabisbaixo, lamenta-se:
- Bom... Eu sinto muito pelo que aconteceu
com o seu amigo Jair, John. Acho que posso imaginar como você pode estar se
sentindo agora mesmo. Deve estar sendo muito difícil. Sei que a amizade dele
vai te fazer uma falta grande...
- Nada que eu não possa superar no dia
seguinte... Sussurra John os olhando com um olhar frio e obscuro.
Logo
os dois se assombram com o tal comentário e, inconformado e incerto do que
tivera ouvido, Luís pergunta:
- O que foi que você disse? Foi isso mesmo
que entendi?
- Nada. Esquece. Eu quis dizer que é algo que
eu não posso superar no dia seguinte. Que na verdade vai demorar um certo
tempo... É isso... Fala John mudando rápido de expressão e baixando a cabeça
após ter simulado uma suposta tristeza.
Mas
para alívio de John, os dois acabam se convencendo e, comovido, Luís senta logo
ao lado dele e passando-lhe as mãos sobre os ombros, fala com um sorriso de
conforto:
- Você vai conseguir, cara! A gente está do
seu lado.
- É isso mesmo! A gente vai sempre estar.
Confirma Ciro.
Logo
John encontra-se impressionado e comovido com a atitude dos dois e pergunta,
admirado os olhando:
- Mesmo? E por que fazem isso?
- Como assim? Porque somos seus amigos, cara!
Fala Luís estranhando a expressão de surpresa de John.
- Amigos? M-meus... Amigos? Pergunta John.
- É! É pra essas coisas que os amigos servem,
sabia?! Fala Ciro sentando-se logo do outro lado de John e passando as mãos
também sobre seus ombros apoiando-os sobre os de Luís que já estavam lá. E John
fica pensativo e com uma sensação de peso.
Após
alguns longos segundos os dois se desprendem do caloroso abraço e Ciro comenta
ainda curioso:
- Me diz uma coisa, John. Hoje de manhã fui à
casa do João e ele me parecia bastante assustado. Ele falou que você tinha
mudado. Que está muito mudado. Ele falou que ontem à noite vocês foram pra
usina.
- Fomos. Confirma John.
- À noite? Na usina? Nossa!! Que coragem!
Fala Luís.
- Ele falou que tinha uma aranha
caranguejeira em cima dele e você pegou e ficou a segurando por um bom tempo.
Foi? Pergunta Ciro admirado e enojado.
- Foi. Mas ela era bem mansinha e simpática.
Fala John.
- O que? Você pegou mesmo numa aranha
caranguejeira? Pergunta Ciro assuntando-se com Luís.
- Mansinha? Simpática? Nossa! Fala Luís
surpreso.
- Por quê? Vocês também têm medo dela?
- Você só pode ta de brincadeira com a gente.
Pegou numa aranha daquelas e ainda faz esse tipo de pergunta? Pergunta Ciro se
olhando com Luís por não compreenderem John.
- Bem... O João também falou que ele e o
Pedro te acharam estranho demais e acabaram correndo, mas você os surpreendeu
aparecendo do nada assim como um fantasma. Fala Ciro fazendo John recordar tudo
em silencio.
- Entendo... Comenta John com o olhar parado
e fixado no chão e um sorriso incerto.
- Pode um negócio desses?! Fala Luís após dar
um surto de risos discretos balançando a cabeça negativamente.
- Ele tem uma imaginação e tanto, não acham? Fala
John aproveitando o momento de risos de Luís.
- Ele falou que você pegou o Pedro pelo
pescoço e ficou o sufocando. Daí ele se vendo em desespero sem poder fazer
nada, saiu correndo em disparada pra casa chorando. Fala Ciro.
Nesse
momento Luís desmancha o sorriso e John cai na gargalhada falando: - Isso
é o que eu chamo de imaginação! Esse cara deveria ser diretor de novela
mexicana!
- Isso é verdade ou uma meia-verdade?
Pergunta Ciro.
- Por quê? Pergunta John desmanchando o
sorriso.
- Porque fomos hoje à casa do Pedro e ele não
estava lá. A mãe dele estava muito nervosa e chorando. Ela perguntou se a gente
sabia onde ele estava. Fala Ciro olhando fixamente para John um pouco
desconfiado.
- E o que vocês responderam? Pergunta John
sem graça.
- Ué?! Que não! Responde Luís.
- De fato a gente não sabe mesmo e também
porque a gente não queria se envolver nesse rolo e, principalmente, comprometer
o João que sabia de uma parte da história. Fala Ciro repreendendo John com o
olhar cada vez mais.
- A gente queria saber primeiro se você
estava mesmo com eles dois na usina ontem e se você sabe do paradeiro do Pedro.
Fala
Luís olhando para os dois sem parar.
- É claro que eu vi! Ele estava aqui há pouco
tempo e eu acho que já deve está em casa uma hora dessas. Fala John.
- Você tem certeza? Pergunta Luís surpreso.
- Escuta. Quando vocês foram lá quem estava
na casa dele? Pergunta John meio curioso.
- Só a mãe, o pai e a irmãzinha dele. Fala
Ciro.
- Por quê? Pergunta Luís.
- Por nada. Só pra saber mesmo... Sorri John.
- Então a gente vai lá agora mesmo. Não vamos
sossegar enquanto essa história não se resolver. Fala Ciro levantando com Luís,
bastante apressados para saírem.
- Então tudo bem. Até logo. Depois me contem
o que aconteceu. Certo?! Propõe John se despedindo dos dois.
- Tudo bem. Até logo! Fala Ciro e os dois
saem.
Ao
chegarem ao portão, Caroline surpreende-os vindo do corredor e fala baixinho se
aproximando:
- Ciro! Luís! Me desculpem mas eu estava
ouvindo a conversa e achei um pouco estranha. Se importam se eu acompanhar
vocês? Quero acompanhar tudo isso de perto.
- Claro! Vamos com a gente. Estamos indo pra
lá. Fala Luís sorrindo e pondo a mão em seu ombro para apressar-lhe.
- Mas você avisou sua mãe? Quer dizer, será
que ela não vai se importar se você sair sem avisar? Pergunta Ciro.
- Tudo bem. Ela acha que eu estou no meu
quarto dormindo. Às vezes eu durmo à tarde. Sorri Caroline.
- Tem certeza? Pergunta Ciro insistindo.
- Vamos Logo! Aborrece-se Caroline puxando os
dois.
06.
A casa de Pedro
Depois
de aproximadamente uns quinze minutos, os três chegam à casa de Pedro e logo
são recebidos por Cecília, irmã de cinco de anos de Pedro, abrindo o portão com
um lindo sorriso segurando uma boneca de pano colorida contra o peito e fala:
- Vocês acharam o meu irmão? Sabem onde ele
está?
- Ainda não, minha lindinha. Mas a gente vai
encontrar. Fala Luís acariciando os cabelos de Cecília com um sorriso simples,
porém sincero na intenção de confortá-la.
- É... Pelo visto ele ainda não chegou como o
John tinha nos avisado. Sussurra Ciro cochichando no ouvido de Caroline.
- Bem que eu estava achando isso muito
estranho... Era bom demais pra ser verdade. Comenta Caroline decepcionada e
apertando os lábios, um contra o outro a olhar Cecília ansiosa.
- Quem está aí, Cecília? Pergunta dona Silvia
gritando lá de dentro. Logo os quatro se olham rapidamente e Cecília grita:
- O Luís, a Caroline e o Ciro, mamãe!
- A gente pode entrar, Cecília? Pergunta
Caroline.
- Pode! A mamãe está muito preocupada e o
papai não pára de ficar rodando pela casa. Fala Cecília meio triste.
- A gente vai dar um jeito. Não se preocupe
tudo bem?! Fala Ciro assanhando carinhosamente os cabelos de Cecília.
- Ai! Pára! Meu cabelo! Fala Cecília
aborrecida tentando pentear-se com sua pequena mão enquanto os três entram.
- Pára de assanhar o cabelo da menina, seu
chato! Fala Caroline inconformada dando-lhe uns tapinhas de leve.
- Oh! Desculpa! Lamenta-se Ciro sorrindo.
Chegando os quatro na sala, dona Silvia e
Sr. Felipe já estão a espera dos três com esperança de receberem alguma boa
notícia a fim de acabarem com aquela angústia sem fim.
- Ciro, Luís e Caroline! Meus queridos. Que
visita boa! Fala dona Silvia com um sorriso os cumprimentando.
- Dona Silvia! Sr. Felipe! Como estão?
Pergunta Luís.
- Ah meu filho! Aflitos! Não agüento mais
essa angústia! Qualquer coisa menos isso! Lamenta-se Sr. Felipe triste.
- Não diga isso, querido! Há coisas que
seriam pior que isso. Tenha fé que tudo vai dar certo. Fala dona Silvia.
- Dona Silvia, Sr. Felipe. Gostaria de pedir
um favor se não for muito abuso. Fala Caroline meio desajeitada.
- Fale minha querida. Sorri dona Silvia.
- Posso usar o banheiro? Estou um pouco
apertada... Fala Caroline meio constrangida olhando para o chão.
- Claro! Cecília a acompanhe até o banheiro
enquanto conversamos com os meninos. Fala Sr. Felipe.
- Sim, papai! Venha Caroline. Por aqui...
Fala Cecília pegando na mão de Caroline e a levando.
- Que fofa! Muito educada essa menina! Sorri
Ciro.
- É a nossa pequena princesa! Sorri dona Silvia.
- Mas nos contem. Vocês têm alguma notícia do
Pedro. Já descobriram onde ele possa estar? Pergunta Sr. Felipe.
- A gente vem da casa do John e ele falou que
estava a pouco conversando com o Pedro, mas ele tinha acabado de sair. Fala
Ciro arrancando sorrisos surpresos dos pais de Pedro.
- É! Ele nos garantiu que o Pedro já podia
estar em casa uma hora dessas. Então a gente veio pra conferir. Fala Luís.
- Em casa? Mas meu filho não chegou até agora.
Mas o que foi que deu no John? Que brincadeira de mau-gosto é essa agora? Fala
Sr. Felipe bastante aborrecido e contrariado.
- Calma, Felipe! Deve haver uma explicação. O
John não brincaria com uma coisa tão séria como essa. Fala dona Silvia.
- Mas eu não entendo! O John parecia tão
convicto no que dizia! Não pareceu que ele estivesse brincando. Fala Ciro.
- Será que o Pedro não deve ter parado em
algum lugar no meio do caminho? Sei lá... Comenta Luís supondo.
- Ele não faria uma coisa dessas com os pais
dele! Depois de tantas horas longe de casa ainda iria parar no meio do caminho
pra conversar? Não. Acho que não. Fala dona Silvia.
- Ele não se atreveria. Iria levar uma bela
surra quando chegasse em casa! Fala Sr.
Felipe indignado olhando os lados.
- Calma Felipe! O nosso Pedro não é assim.
Você sabe disso! Fala dona Silvia assustada tentando acalmá-lo.
- Mas o John falou que... É estranho! Onde o
Pedro pode estar então se ainda não chegou? Pergunta Luís inconformado.
- É exatamente o que eu gostaria de saber.
Fala Sr. Felipe.
De
repente um barulho estranho de algo caindo vem do quintal surpreendendo os
quatro que se olham em silêncio.
- Vocês ouviram? Pergunta dona Silva
preocupada.
- Mas o que foi isso? Pergunta Ciro surpreso.
- Não sei. Parece que foi algo de ferro. Fala
Luís.
- E veio do quintal! Eu vou ver! Fala Sr.
Felipe indo.
- Cuidado querido! Pode ser um ladrão! Fala
dona Silvia.
- A gente vai ver também! Fala Luís indo com
Ciro.
- Ai meu Deus! Tomem cuidado! Insiste dona
Silvia.
Quando chegam ao quintal, para a surpresa
dos três, Pedro está lá sentado no canto da parede com os braços envolta das
pernas e a testa sobre os joelhos a estremecer.
- Filho! Fala Sr. Felipe indo imediatamente
de encontro a seu filho depois do choque de felicidade por tê-lo encontrado. Nesse exato momento após ter escutado, dona
Silvia vem correndo para conferir o que houvera escutado.
- Pedro! Até que enfim você apareceu! Sorri
Ciro.
- Filho! Meu filho querido! Grita dona Silvia
o abraçando muito nervosa e feliz pelo fim de toda aquela angustia.
- Graças a Deus... Sussurra Luis aliviado e
sorrindo.
- Mas onde você esteve? O que aconteceu? Nós
ficamos muito preocupados. Já estávamos pensando no pior, filho! Fala Sr.
Felipe abraçando seu filho junto com sua esposa.
- Eu...
- Venha! Vamos tomar um banho e comer algo.
Deve estar faminto e precisa descansar. Depois conversaremos com mais calma.
Decide dona Silvia após ter interrompido Pedro.
- Tem razão. Afinal o pior já passou.
Deixamos o interrogatório pra depois. Uma coisa de cada vez. Sorri Sr. Felipe o
abraçando e dando-lhe um beijo na testa.
- Mas a Caroline ainda ta...
- Mamãe. A Caroline não ta mais no banheiro.
Fui até a cozinha tomar água e quando voltei, ela já tinha saído. Chega Cecília
interrompendo Luís.
- Nossa! O que terá acontecido? Fala dona
Silvia.
- Deixem pra lá! Ela com certeza deve ter uma
explicação. Depois ela aparece e esclarece. Propõe Sr. Felipe.
- E-eu estou um pouco apertado. Fala Pedro se
retorcendo
- Vamos! Venha logo! Fala dona Silvia o
acompanhando.
- Que estranho... Pensa Luís um pouco desconfiado.
- Legal! O John e o João precisam saber
disso! Vamos lá contar a eles agora. Fala Ciro bastante ansioso.
- Tudo bem. Vamos logo à casa do João que é
um pouco mais perto. Propõe Luís ainda preocupado com o que houve.
- Até logo, meninos! Obrigado pela visita.
Sorri Sr. Felipe
Então os dois se vão e Sr. Felipe pergunta
para si:
- Mas o que será que houve com a Caroline?
Ela saiu sem avisar. Tento imaginar algum motivo evidente.
- Será que o papel higiênico tinha acabado
papai? Pergunta Cecília preocupada o olhando inocentemente.
No caminho de ida para a casa de João os
dois um pouco intrigados com o misterioso aparecimento de Pedro e o sumiço de
Caroline, Luís comenta com o olhar um pouco perdido:
- Você não achou estranho o modo como Pedro apareceu?
- Se achei? Fala sério...
- Oi meninos! Caroline os surpreende
aparecendo por trás com um sorriso meio sem graça e as mãos se abraçando entre
si.
- Nossa! Caroline? Você... V-você... Fala
Ciro assustado.
- Onde esteve senhorita assombração?! O que
houve com você que sumiu daquele jeito sem deixar rastro algum? Você deixou
todo mundo preocupado! Pergunta Luís inconformado.
- Sem falar da forma como surge... Fala Ciro
chateado.
- Desculpem. Eu precisei sair. Fala Caroline
cabisbaixa.
-
Como assim? Do que você está falando?
Pergunta Ciro.
- É que eu... Fico meio sem graça de
explicar... Eu...
- Você o quê? Pode falar. Confie em nós! Sabe
que pode contar com gente. Fala Luís sorrindo para confortá-la.
- Bom, eu... Eu sangrei. Fala ela olhando
para o chão.
- Você o quê? Como assim “sangrei”? Pergunta
Luís.
- Nossa! Você já menstrua com essa idade?
Como você é precoce! Eu to impressionado! Fala Ciro admirado.
- Não é nada disso! Eu sangrei pelo nariz.
Nunca ouviu falar em hemorragia nasal? Pergunta Caroline aborrecida.
- Ah bom. Por um instante eu pensei que...
- E por que não pediu ajuda? Pergunta Luís.
- É que eu fiquei nervosa! Isso nunca tinha
acontecido comigo. A minha reação foi de sair correndo pra casa!
- Tudo bem. Parece coisa simples, mas nem eu saberia
o que fazer. Também nunca passei por isso. Fala Luís.
- Nem eu. Concorda Ciro tentando imaginar.
- Então vocês me entendem. Sorri Caroline.
- É. Pode ser... Sussurra Luís meio indeciso
a olhando.
- Já ficou sabendo que o Pedro apareceu?!
- É sério?! Ai que legal! Mas... Onde ele
estava? Como e onde vocês o acharam? Pergunta Caroline intrigada.
- Ele apareceu nos fundos da casa. Tava todo
sujo e suado. Parecia um animal acuado. Foi de repente.
- Que estranho. Ele não explicou como chegou
ali?
- Ainda não. A gente espera que ele
esclareça... Essa história por enquanto está muito mal-contada. Fala Luís.
- Bom. Então vamos para a casa do João contar
a novidade. Chega de conversa! Propõe Ciro.
- Estamos indo prá lá agora. Você vem com a
gente?
Convida
Luís bastante ansioso.
- Claro! Vai ser interessante. Vamos lá!
Sorri Caroline.
- Vejam! Não é a sua mãe, Caroline?! Pergunta
Ciro avistando dona Abigail vindo com umas sacolas.
- Droga! Ela não pode me ver! Fala Caroline
se escondendo atrás dos dois rapidamente.
- Por quê? Pergunta Luís a olhando
discretamente.
- Não lembram que eu saí sem avisar?
- E o que a gente faz agora? Pergunta Ciro.
- Não se movam! Tentem agir com naturalidade.
Não deixem ela perceber que eu estou
aqui!
- Oi meninos! Como vão?! Sorri dona Abigail
acenando.
- Olá dona Abigail! Bem. E a senhora? Sorri
Luís.
- Estou bem. Fui fazer umas compras.
- E o pessoal de lá? Como está? Pergunta
Ciro.
De repente, chateada, Caroline lhe dá um
beliscão.
- Ai!
- O que foi? Pergunta dona Abigail preocupada.
- Nada! Acho que foi algum borrachudo. Fala
Ciro sem graça olhando para Luís e para dona Abigail.
- Borrachudo? Que estranho.
- Deve ser impressão dele, dona Abigail. Ele
deve ta com alguma coceira. Acho que não tem tomado banho hoje.
- Não tomou banho ainda hoje? Nossa! É
provável.
- Mas eu já tomei banho hoje sim! Ai!
Caroline lhe dá outro beliscão com mais força.
- Pode ser que não tenha tomado direito. Fala
Luís.
- Bem. Então até logo. Juízo! Sorri dona
Abigail indo.
07.
Na casa de João
Chegando
os três na casa de João eles o surpreendem com um sorriso misterioso se olhando
entre si.
- Que sorrisos são esses? Aconteceu alguma
coisa boa? Pergunta João bastante intrigado os olhando com outro sorriso.
- Ué?! Tenta imaginar. Propõe Luís.
- Não vão me dizer que... Espera aí. O Pedro
apareceu?!
- Ahá! Na mosca! Comemora Ciro.
- Como foi que você adivinhou? Pergunta
Caroline.
- Ora! Era óbvio. Era a única coisa que tava
pendente. Mas vamos logo. Me contem o que aconteceu em detalhes!
- Bom. Foi estranho. A gente falou com o John
e ele nos garantiu que o Pedro estaria lá. Ele tinha acabado de sair da casa do
John. A gente foi correndo para a casa do Pedro pra conferir. Só que quando
chegamos lá ele não tava. Os pais dele ficaram chateados com o mal-entendido,
mas enquanto nós conversávamos ouvimos um barulho vindo lá dos fundos. E ele
tava lá todo sujo e suado com uma cara de assustado. Explica Luis enquanto
João, que imaginava tudo passo a passo, confirmava balançando a cabeça com
bastante ansiedade.
- Que estranho! Mas como foi que ele escapou
do John e foi parar ali?
- Ele o quê? Do que você ta falando? O que o
meu irmão tem haver com isso? Pergunta Caroline um pouco surpresa.
- Calma Caroline. Está tudo bem. É provável
que o João tenha só sonhado e se confundido. Sorri Ciro.
- É. Isso mesmo. Essas coisas podem
acontecer. Fala Luís.
- Não! Eu não me enganei coisa alguma! Isso
realmente aconteceu! Eu tava lá! O John agarrou o Pedro pelo pescoço e ficou
sufocando ele. Eu só tive ação de fugir! Explica João.
- Tudo bem João. Essa estória de novo não.
Quando vai considerar a hipótese de que isso tudo possa ter sido só fruto da
sua imaginação?! Não acha isso um pouco absurdo? Pergunta Luís num sorriso de
conforto tentando o convencer.
- É, João. Não faz sentido. O John estava em
casa. E de uma forma ou de outra o Pedro já apareceu. Provavelmente estava na
casa de algum outro amigo. Fala Ciro insistindo.
- Ahh! - Num ranger de dentes, João vira as
costas para os três e soca a parede, furioso, fazendo spyker, seu cachorro,
latir - Não acredito que aquele pilantra conseguiu ganhar vocês na conversa e
me fez passar por um maluco que fala absurdo!
- Ei! Meu irmão não é nenhum pilantra! Fala
Caroline.
- E você do lado dele não me surpreende
nenhum pouco. O que veio fazer aqui? Isso não é conversa para menininhas!
- Eh! Calma aí, João! Nós que a convidamos
pra vir com a gente. É natural que ela defenda ele. É do irmão dela que você
está falando! Fala Luís tentando acalmá-lo protegendo Caroline
- E ela não tem culpa. Não descarregue nela a
raiva que você sente pelo John! Fala Ciro um pouco aborrecido.
- Essa não! Meus amigos contra mim agora!
Lamenta João um pouco nervoso andando pela sala.
- Não. Não estamos contra você. Só estamos
tentando te convencer de que...
- De novo não! Não me venham com essa!
Interrompe João ficando mais alterado com a insistência.
- Calma, brother! Pode ter sido um sonho
ruim! Fala Ciro
- Não! Não! Não! Ele colocou vocês contra
mim! E isso sim é um sonho ruim! Isso não pode estar acontecendo comigo!
- Dá pra parar?! Ninguém ta contra você! Fala Luís.
- Por que você não pára um pouco de olhar só
pro seu nariz e tenta acreditar que pode estar enganado?! Fala Ciro.
- E por que vocês não tentam ao menos
acreditar em mim dessa vez? Falam de si e do John. E eu? Onde é que eu fico?
- É complicado! Não existe nenhuma evidencia
do que você diz! Que provas você tem? Você nos deixa sem escolha se alterando
dessa maneira inutilmente! Justifica Luís.
De
repente o nariz de Caroline começa a sangrar e Ciro percebe interrompendo a
conversa: - C-Caroline... O seu...
- O nariz dela ta sangrando! Fala João
admirado.
- Essa não! Outra vez! Fala Luís preocupado.
- T-tenho que ir embora! Fala Caroline
olhando as pontas dos dedos molhadas de sangue e sentindo o gosto do
escorrimento que ia de encontro a sua boca.
- Outra vez? Desde quando ela tem esse
problema? Pergunta João intrigado. E nesse momento Caroline sai.
- Parece que é recente! Responde Ciro
Bastante preocupado olhando para a direção que ela saiu.
- E é assim? Constante? Pergunta João.
- Não se sabe. Acho que é quando ela fica
nervosa. Fala Luís hora olhando para João e hora olhando para onde ela foi.
- Luís! Acho que a gente devia acompanhar
ela. Talvez ela piore. Aí eu vou me sentir culpado por não ter feito nada. Fala
Ciro ansioso para sair sem parar de olhar para fora.
- Tem razão! João, a nossa conversa vai ter
que ficar pra depois! Agora a gente precisa ir. Propõe Luís saindo com Ciro.
- Tudo bem. Depois me avisem como ela ficou.
Se apressem senão vocês irão perder ela de vista. Até logo!
- Até mais! Fala Ciro fechando o portão em
seguida.
- Que estranho. É cada uma... Mas será que
eles têm razão? Será que eu posso ter sonhado mesmo?
Nesse
momento faz-se um barulho estranho e os gemidos de dor de Spyker vindos lá dos
fundos do quintal assustam João.
Preocupado,
João vai aos poucos até a porta dos fundos e pergunta: - Spyker? Está tudo bem
aí, amigão?!
Mas
para sua maior preocupação Spyker não se manifesta.
Chegando
ao quintal, João estremece ao olhar para o local onde Spyker fica e não o
encontra. Sua comida e água pelo chão.
De
repente João ouve o mesmo barulho estranho de outrora vindo do beco do jardim
de frente da sua casa para o quintal.
Mesmo
com medo, João dirige-se até o beco a passos lentos.
Chegando
no beco João se depara com seu cão rangendo num franzir assustador mostrando
suas presas pontiagudas fixando seu olhar que o apavora fazendo João recuar aos
poucos.
- Calma. Sou eu, amigão. Não ta mais me
reconhecendo?
De
repente Spyker o apavora num latido infernal e sai em disparada na direção de
João que, assustado corre tropeçando em seguida no prato de comida vazio e vai
rastejando de costas rapidamente a observar o bichano enfurecido se aproximar.
Ao chegar de encontro à parede João se vê completamente sem saída e Spyker,
vindo velozmente, salta para atacá-lo. E João grita. João cobre o rosto com os braços para tentar se proteger
e, de repente, no meio do salto, Spyker desaparece. Em seguida ouvem-se
discretas gargalhadas macabras ecoarem pelo quintal.
Assustado,
João se gruda nas paredes olhando para todos os lados do quintal procurando de onde
a voz possa ter vindo.
De
repente, para seu desespero, João vê John cruzando a esquina do beco vindo a
sorrir em sua direção. Ao chegar frente a frente com João, ele pergunta: - Como
vai?
- John?! O que aconteceu com você?
- Comigo? Nada. Mas sabe o que vai lhe
acontecer?
- Vai me matar? O que você fez com o Pedro?
De
repente John transforma-se em Pedro.
- M-meu Deus! Você não é o John! Quem é você?
Logo,
Pedro transforma-se em Leonardo o apavorando.
- Meu nome é Leonardo. Mas posso ser quem ou
o que eu quiser. Qualquer um dos seus amigos ou até mesmo seu cão.
- Por que ta fazendo tudo isso? O que foi que
te fiz pra querer me matar? Pergunta João em desespero contra a parede.
- Está tentando me prejudicar. Está
interferindo em meus planos. Em resumo, você está no lugar errado e na hora
errada. E ainda por cima não consegue manter sua boca calada!
- Você só pode ser fruto da minha imaginação!
Se transformou em meu cachorro e em seguida nos meus dois amigos. Não dá pra
acreditar nisso tudo! Não é real!
- Ah não?! Vai me dizer que eu, João, não
acredito nisso?! Pergunta Leonardo transformando-se em João a sorrir.
- M-meu Deus! Você só pode ser o capeta! O
que fez com meus amigos e meu cachorro? Onde estão eles?
- Calma! Seus amigos estão bem. Ainda. E
quanto ao seu cachorro... Olhe bem para o local onde ele fica.
Ao
olhar, João vê Spyker dormindo amarrado com sua comida e sua água por perto de
modo organizado.
- Exatamente como antes. Será que você está
enlouquecendo mesmo e não se dá conta disso? Que trágico...
- Não. Deve ser apenas um pesadelo. Daqui a
pouco eu vou acordar e tudo vai voltar ao normal! Eu estou dormindo!
- Eu acho que não. Fala Leonardo rindo ao
enfiar sua unha nas costas da mão esquerda de João que grita.
Nesse
momento dona Sandra, mãe de João, chega à porta da cozinha e o encontra sentado
contra a parede sozinho e assustado com sua mão direita assentada sobre a
esquerda.
- O que aconteceu? O que você está fazendo aí
sentado? Pergunta dona Sandra aproximando-se e agachando perto dele.
- A senhora não vai acreditar! Se você não
chega a tempo eu teria sido morto pelo capeta! Ele se transformou no John, no
Pedro e no Spyker. Derramou a água e a comida dele e depois pôs tudo de volta
no lugar. Foi assustador, mãe!
- Tem certeza de que está tudo bem? Andou
assistindo O Exorcista, A Profecia ou coisa do tipo?
- Não acredita em mim, não é?! Também não
acreditou no que eu disse ontem à noite sobre o Pedro, não foi?!
- Desculpe, filho. É logicamente impossível!
- Agora você vai acreditar! Ele deixou um
furo na minha mão que fez com a unha e... Ué?! Cadê? Mas tava aqui! Tava até
sangrando! Eu juro! Fala João bastante inconformado tentando se explicar.
08. Meia Noite
Chegando
a sua casa por volta das sete horas, John é surpreendido por sua mãe que
pergunta aborrecida:
- Isso são horas? Saiu sem avisar e passou o
dia fora? Seu pai não vai gostar nada disso! Agora vá tomar banho pra jantar
- Eu já jantei na casa do João. Passei o dia
por lá.
- Era de se esperar. “Galo onde canta,
janta”. Então vá tomar seu banho e depois se entenda com seu pai!
- Aquele velho chato outra vez! Ninguém
merece! Pensa John chateado tentando imaginar o sermão.
Após
terminar o banho e pronto para sair, John é surpreendido por Sr. Fernando que o
olha desconfiado:
- Onde pensa que ainda vai? Passou o dia fora
e já vai sair outra vez? Pra onde vai tanto? Posso saber?
Logo
John o olha fixamente de um modo estranho fazendo Sr. Fernando sentir-se
diferente como se estivesse sendo manipulado: - Gostaria de saber se pode me
permitir ir à casa do meu amigo Pedro?! Não o vi o dia inteiro. Sorri John.
- Claro. Vá. Tome cuidado. Responde Sr.
Fernando um pouco paralisado fixando seu olhar em John.
- Tudo bem. Obrigado... Papai. Sorri John o
abraçando.
Ao
passar pela porta, John cruza com sua mãe.
- Aonde vai, John?! Pergunta dona Abigail
admirada.
- Vou na casa do Pedro. Papai deixou. Sorri
John.
- Ele deixou? Assim? Sem mais nem menos?
- Foi. Pode perguntar a ele. Até logo!
Após
John sair dona Abigail se aproxima de Sr. Fernando que continua paralisado e
pergunta intrigada: - Querido?! É verdade que permitiu que John fosse à casa de
Pedro?
Mas
Sr. Fernando não responde.
- Querido?! Fernando?! Fernando!
- Hã?! Falou comigo, querida?!
- Está se sentindo bem?!
- Sim! Estou. Por quê?
- Deixou que o John fosse à casa do Pedro?!
- Deixei. Foi estranho... Mas eu deixei... Responde
Sr. Fernando com um olhar meio perdido sendo observado por dona Abigail
preocupada com sua reação.
Pouco
tempo depois, Pedro chega em casa após ter saído sem avisar: - Mãe! Coloque
minha janta. Acho que vou dormir cedo hoje. Estou cansado. Prometo que amanhã
conversaremos.
- Tudo bem, querido. Você merece mesmo um bom
descanso. Amanhã conversaremos com mais calma. Responde dona Silvia o
confortando com um pequeno sorriso.
Após
jantar, Pedro se despede dos pais e vai para o quarto trancando a porta logo em
seguida. Em meio ao seu quarto um pouco escuro, Pedro, após um sorriso macabro,
transforma-se em John e desaparece. John então aparece em seu quarto e, após um
rápido suspiro, abre a porta assustando dona Abigail:
- Meu Deus! Que susto, menino! Quer me matar
do coração? Que horas foi que você chegou que não eu percebi?
- Provavelmente você poderia estar no quarto
na hora que cheguei. Responde John abrindo um pequeno e falso sorriso.
Nesse
exato momento, Caroline, que estava escutando toda a conversa chega lá de fora
e comenta com um sorriso malicioso o olhando fixamente: - Nossa! Parece até
mágica. Porque eu estava no portão desde a hora que vi você sair e não percebi
você entrar. Sei lá... Na menor das hipóteses talvez eu possa ter cochilado por
um pequeno instante, não é mesmo?!
Ofendido
pelas palavras sarcásticas, John a olha com certa repulsa e, sem perceber, está
sendo observado por sua mãe.
Preocupada
com a expressão estranha de John dona Abigail comenta com um tom de autoridade
olhando para os dois:
- Olha! Não estou gostando do modo como os
dois estão se comportando um com o outro. Não quero ver ou ouvir sobre mais
brigas de vocês nessa casa, ouviram os dois?! E você, senhorita, pare de ficar
provocando seu irmão!
- Eu?! Mas eu não disse nada demais mamãe!
Foi apenas um comentário inocente. Eu realmente devo ter me distraído por não
ter percebido ele chegar!
- “Comentário inocente”. Sei... Eu senti certa
ironia nesse seu comentário. Eu conheço a senhora e a sua língua.
- Nossa! Agora vai ficar pegando no meu pé!
Fala sério!
- Tudo bem mãe! Não vamos brigar por isso.
Melhor pararmos antes que o pai perceba. É uma discussão inútil. Com certeza
ela não deve ter tido a intenção, não é Caroline?! Supõe John a olhando
fixamente com um sorriso incômodo.
- Claro... Irmãozinho. Sorri ela debochando.
- Caroline! Dona Abigail se ofende com mais
uma ironia.
- Posso saber o que está se passando de
errado aqui? Pergunta Sr. Fernando surpreendendo os três com rispidez.
- É essa menina...
- Nada pai. Está tudo bem. Foi só mais uma das
piadas de mau gosto da Caroline que incomodaram a mãe. Só isso. Responde John
após interromper dona Abigail.
- Hum! (Aborrecimento) Eu vou pro meu quarto!
Fala Caroline bastante inconformada saindo do círculo.
- Sabe que não admito falta de respeito com a
sua mãe! Depois conversaremos, mocinha! Responde Sr. Fernando.
Algumas
horas depois, no silêncio daquela fria madrugada, John aparece de repente no
quarto de Caroline e aproximando-se da cama dela num leve sussurrar, fala: -
Boa noite...
Ao
acordar ela se assusta com a repentina aparição e John a adverte sutilmente com
o dedo indicador em sua própria boca.
Num
sussurrar temeroso ela pergunta: - O que você quer?
- Não acha que já está na hora de você sair
de cena?
- C-como assim? Do que você ta falando?
- Que você está se destacando demais. O papel
de protagonista é meu. Eu determino as coisas por aqui!
- As coisas? Que coisas? Você chega do nada
aqui, sequestra meu irmão, faz uma confusão de identidades e contratempos e se
acha no direito de reclamar de algo?
- Confusão de identidades? Seja direta, sua
sabichona!
- Que história é essa de hemorragia nasal?
- Hã?!
- O Luís e o Ciro vieram aqui preocupados
comigo perguntar se eu estava melhor do escorrimento de sangue no nariz. Me
perguntaram também se era certo eu esconder esse problema dos meus pais. Não
entendi no começo, mas logo imaginei que tivesse sido alguma obra sua. O que
pretende se passando por mim? Aliás, por todos nós? Aonde você quer chegar e o
que fez com meu irmão?
- Nossa! Você é muito esperta e atrevida. De
fato não tem noção de perigo. É uma tola por esperar por tempos ruins.
- Não tenho medo de você! Vai precisar fazer
melhor que isso tudo pra conseguir me assustar!
- Definitivamente devo confessar que estou
impressionado. Não sei o que diabos anda lendo ou assistindo, mas, com esse
notável conhecimento e astúcia desproporcionais a sua idade, admito que não
seja tão insignificante e soe como uma
ameaça aos meus planos. Isso me força a tirá-la de cena.
- O que vai fazer? Vai me matar? Caroline
estremece.
- Não. Você é muito inteligente pra morrer. E
como eu sou bom sujeito e vou provar que sou, vou levá-la até o seu irmãozinho
querido. Talvez isso compense suas iniciativas.
Sorri
John colocando a palma da mão sobre o rosto de Caroline a fazendo adormecer.
Logo ele some levando-a consigo para o local destinado: A usina abandonada.
Sr.
Chico, um catador de latas, idoso de pele morena que geralmente dorme nas ruas
mesmo tendo sua humilde casinha de taipa, acidentalmente presencia tudo após um
bocejo e um brusco despertar para enrolar-se com seus velhos e sujos pedaços de
pano. Vendo Leonardo abrir uma porta no chão depois de tirar uma lona e pedaços
de papelão Sr. Chico tenta enxergar discretamente para acreditar no que
presenciava.
Após
colocar Caroline no subterrâneo secreto da usina, Leonardo fecha a porta pondo
a lona e os pedaços de papelão de volta e dá uma rápida olhada no local para
ver se encontrava algum álibi ou coisa do tipo a fim de sabotar seus feitos.
Sem perceber que Sr. Chico estava o observando todo tempo, ele desaparece num
desvanecer como a fumaça o admirando.
Impressionado
com o que havia presenciado, Sr. Chico balança a cabeça negativamente após um
esfregar de olhos e uma última observada. Intrigado, Sr. Chico volta a dormir.
Por
volta de meia noite e meia na casa de Pedro, Sr. Felipe, um pouco incomodado
com o calor do seu quarto, levanta-se para tomar água. De repente quando abre a
geladeira com o copo na mão: - Pai...
Pedro
o surpreende por trás o fazendo derrubar o copo de vidro no chão: - O que faz
acordado uma hora dessas? Parece mais uma assombração. Fala Sr. Felipe chateado
observando os estilhaços de vidro espalhados pelo chão.
- Desculpe se o assustei. Não tive intenção.
Sorri Pedro.
- Tudo bem. Mas você não me disse o porquê de
estar acordado uma hora dessas. O que houve? Pesadelos?
- Antes fosse... (Risos) É que eu acordei com
uma fome. Tem algum pedaço de bolo sobrando por aí?
- Estranho. Acordar no meio da noite pra
comer? Tudo bem. Vá buscar a faca que eu corto pra você.
De
repente Sr. Felipe sente uma forte dor e, de olhos arregalados, cai
vagarosamente por cima dos estilhaços.
Pedro
houvera cravado impiedosamente a faca que seu Felipe tinha pedido nas costas de
seu pai. Com um sorriso macabro Pedro transforma-se em Leonardo e sussurra no
canto do ouvido de Sr. Felipe enquanto ele agonizava e seu sangue se espalhava:
- Acho que é melhor voltarmos a dormir. Talvez o sono tenha falado mais alto...
Papai. Boa noite. Sorri Leonardo desaparecendo após ter dado um leve beijo em
sua testa.
Quando
ele desapareceu a porta da geladeira fechou-se e os pedaços de vidro se
recomporam consertando o copo no chão.
No
dia seguinte, por volta das cinco e meia, dona Silvia dá por falta de seu
marido na cama e levanta-se para encontrá-lo. Chegando à cozinha dona Silvia
percebe algo de estranho no ambiente e vem caminhando de encontro à geladeira.
Aos poucos em quanto vinha caminhando ia percebendo o chão repleto de sangue.
Logo seu coração começa a bater mais forte e rápido conforme ela aguardava o
pior que estava por presenciar.
Chegando
de frente a geladeira dona Silvia se depara com o pior: Felipe morto de olhos
abertos sobre uma poça de sangue com uma faca cravada nas costas. Um grito é a
única reação.
O
grito de dona Silvia é tão alto e agudo que acaba acordando não só Pedro e
Cecília como também uma grande parte da vizinhança. Nessa hora Cecília
acorda-se e quando vem de encontro a sua mãe Pedro a puxa pelo braço e a
abraçando sussurra em seu ouvido para tentar confortá-la: - A mamãe está bem. O
problema não é com ela. Mas é melhor ficar aqui. O papai não está bem e você
não vai gostar de ver o que aconteceu.
- O papai se machucou?
- Foi. Mas não se preocupe. A mamãe sabe o
que fazer.
Nessa
hora dona Silvia chega até eles desesperada e, chorando sem parar, os abraça
fortemente fazendo Cecília chorar também. Então Pedro assenta sua cabeça no
ombro de sua mãe e nesse tempo ele franze um discreto e obscuro olhar.
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